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Minhas Raizes

Meu batizado, com minha mãe Violeta e meu padrinho, o Presidente Juscelino Kubitschek.

Nasci em Aracaju, descendendo de tradicional família sergipana, que historicamente se estabeleceu nos setores açucareiros e de tecelagem industrial. Meu pai, Fernando Prado Leite, foi deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa, em Sergipe, e meu avô, o industrial Júlio Leite, foi senador da República por dois mandatos, um na década de 50 e outro até 1970.Àquela época, era muito comum a prática, hoje rara, de as famílias proporcionarem a seus filhos oportunidades de educação em centros urbanos mais desenvolvidos. Meu avô foi pai de onze filhos, dos quais muitos estudaram em São Paulo ou no Rio de Janeiro, sempre em bons colégios, internos ou não. Meu pai, inclusive, transpôs fronteiras e formou-se engenheiro agrônomo nos Estados Unidos - o “máximo”, à época.

Quando eu tinha dois anos e meio de idade, faleceu minha avó paterna. Nesse tempo, meu avô Júlio já fixara residência no Rio de Janeiro, um comportamento comum dos congressistas daqueles tempos. Então, fui trazido para passar um período em casa de meu avô. Voltei a Aracaju para fazer o pré-primário, ocasião em que contraí a temida esquistossomose, verminose, aliás, que vários irmãos também enfrentaram. Mandaram-me para tratamento médico no Rio, e, quando recebi alta, por aqui fiquei com o objetivo de  aprimorar meus estudos.

Meu batizado, com minha mãe Violeta e meu padrinho, o Presidente Juscelino Kubitschek.

Tenho para mim que alterar a engenharia do destino foi uma opção clara de meus pais, pesarosa, mas consciente, forjando para mim um roteiro de vida todo especial. Fico a imaginar, agora, a imensa dificuldade que não deve ter sido para minha mãe ver seu primeiro filho homem ficar longe do seu carinho e do seu afeto diário. Imagino a tristeza que deve ter sido para os meus pais, mas estou convencido de que foi uma decisão ditada pelo único e exclusivo interesse de me proporcionar melhor desenvolvimento intelectual e cultural, o que era mais acessível no Rio de Janeiro.

No entanto, gostaria de deixar bem claro que eu ficava longe de Sergipe só nos períodos letivos, pois nas férias escolares (julho, dezembro, janeiro e fevereiro) tinha oportunidade de conviver mais diretamente com minha família. E assim foi até o segundo grau, mesmo com o tempo de férias diminuindo paulatinamente. As condições de vida foram me levando até somente uma viagem, uma vez por ano, no verão, em geral antes dos festejos de Momo - os instantes mais aguardados das férias.

De modo que fui criado por meu avô e por quatro queridas tias - tia Loila, tia Aida, tia Marieta e tia Cili, que eu carinhosamente chamava de mãe-titia, por conta da proximidade da ternura, desde idade mais tenra. Morávamos em amplo apartamento na Hilário de Gouveia, em Copacabana. Até determinada idade mãe - titia esteve no comando. Quando casou-se com  tio Aluísio, a batuta passou às mãos - tão firmes e positivas quanto generosas - da tia Loila. É preciso também registrar que essa sólida estrutura familiar - meu alicerce aqui no Rio de Janeiro - contava com o apoio da tia Carmita, do tio Jonir, do tio Júlio César e da tia Linda, e incluía um bom número de primos.

Na verdade, em determinada fase da vida, cheguei à conclusão de que possuía vários pais e mães, o que para mim sempre foi objeto de orgulho. O que para alguns poderia  conduzir aos divãs da vida, para mim, ao contrário, foi motivo de saudável alegria. O fato de ter tido, na minha formação, o concurso de tantos “palpiteiros”, de tantos familiares, só aumentava o clima de bem-querer à minha volta.